(Hooverphonic,"The World Is Mine")
Sexta-feira, Julho 31, 2009
Quinta-feira, Julho 30, 2009
Quarta-feira, Julho 29, 2009
Peregrina em terra estranha ou A place to call home ou Não gosto de dizer "adeus"
“Até já”… era assim que terminavam todas as nossas conversas.
A nossa história foi feita de um longo adeus desde o primeiro dia.
Terça-feira, Julho 28, 2009
Segunda-feira, Julho 27, 2009
Da ajuda e da amizade ou Porque à vez, todos somos náufragos e precisamos de ser resgatados
Lembro-me de estarmos na sala, onde ainda só tinha os dois sofás e caixas de cartão encostadas à parede (são engraçados os detalhes que a memória guarda).
No grande afecto que tem por mim, ralhou-me, como um pai a um filho rebelde, e chamou-me de volta à vida.
Relembrou-me que os nossos amigos estavam todos comigo naquela minha travessia, mas eu tinha de os deixar entrar outra vez. Não podia continuar a fechar-me numa concha, sob pena de afastar todos aqueles que gostavam de mim.
Nos anos que têm passado lembro-me daquela conversa muitas vezes…
No fundo preciso, quero, gosto que cuidem de mim, mas também sei que não deixo que o façam facilmente.
São difíceis de transpor as barreiras que aprendi a erguer ao meu redor.
É mais fácil sair do meu reduto, se sentir que há dor entre os meus afectos, do que permitir que entrem para me amparar na solidão negra das dores que aprendi a disfarçar.
Todos temos mecanismos de sobrevivência, este será mais um dos meus. Enquanto cuidar de outros não tenho de cuidar de mim, posso desviar o foco daquilo que não quero ver e mantenho-me na sombra, enquanto a luz incide sobre quem, no momento, precisa mais que eu.
Para mim foi sempre difícil pedir e aceitar ajuda. E nunca foi uma questão de orgulho ou de superioridade, muito pelo contrário…
Com o tempo tenho vindo a aprender a estender a mão, tanto para oferecer a minha força como para pedir ajuda.
Mesmo que achemos que somos auto-suficientes, mesmo que pensemos que não temos o direito de sobrecarregar o outro com os nossos fardos, basta aprender a segurar a mão que se estende para nós.
E nem tem de haver muita conversa, às vezes basta saber que do outro lado está alguém que se alegra com a nossa alegria e se dói das nossas lágrimas.
Para mim a amizade também é isto, é rir e chorar juntos, é saber dar, pedir e receber…
Porque o afecto, para crescer, só precisa de afecto e quando andamos à deriva é a força de quem nos quer bem que nos mantém à superfície.
Domingo, Julho 26, 2009
Sexta-feira, Julho 24, 2009
Palavras com som ou Música que ensina ou Como não gostar desta voz?
(Ayo,"Life is real")
Perdição
Quando o olhei senti que estava em perigo. Algo em mim dizia “Foge. Não o aceites” mas eu, fraca, acedi e estendi a mão…
No instante em que a minha boca lhe tocou, soube-me irremediavelmente perdida. Soube ali, que passaria o resto dos meus dias a tentar fugir-lhe e a ceder-lhe, de vez em quando.
De então para cá, tem sido assim a nossa vida…quando o vejo nego-o, resisto, recuso…controlo-me com rigor marcial. Mas, de vez em quando, rendo-me e levo-o comigo para casa.
Ontem à noite, exausta, sentada no sofá…a sabê-lo sozinho na cozinha, não aguentei e fui-me a ele.
Quando terminei, prometi a mim mesma que, tão cedo, não volto a cair. Mas também sei que vou acabar por lá voltar…
Quem nunca experimentou que me julgue e condene. Quem tiver coragem experimente e depois diga-me se consegue fugir…
Vivia bem sem ter conhecido esta perdição? vivia pois....
Quinta-feira, Julho 23, 2009
Palavras com som ou Foi a dica de um querido amigo que me trouxe aqui...
É bom partilhar caminhos...
Thanks.
(Rob Dougan,"Left Me For Dead")
Ideias pseudo-sérias depois de uma noite animada ou Porque o melhor do mundo são as crianças mas os amigos não ficam atrás ou Andamos todos ao mesmo
Ali estavam quatro amigos, descontraídos e bem dispostos, numa noite de riso fácil e música no corpo, com aquele tipo de segurança que só se consegue quando existe bem-querer e confiança.
Mas, entre as gargalhadas e as conversas ligeiras, entre o rodopio de uma dança mais quente, por detrás da distracção do momento, quando as luzes se apagam e a lassidão da noite nos cai sobre o corpo, torna-se indisfarçável aquele brilho triste no olhar, do vazio que, por agora, todos temos, em estádios mais ou menos avançados de cicatrização, perdidos entre o deve e o haver, entre o que foi e o que quer que venha a ser.
Eu sinto, já não o vazio de quem partiu, mas antes o vazio de quem ainda não chegou.
Parece que passamos a vida nisto de vestir e despir a alma, para encontrar quem nos faça sentir em casa, até acertarmos na dose certa de intimidade e entrega, que fica muito além da paixão, que arde célere, mas que não chega para acordar o fogo que faz viver o amor.
É isso que quero, um fogo que arda continuado e vivo, numa chama forte e permanente, que me sustente muito para lá do encantamento inicial, com um calor que derreta barreiras e uma luz que ilumine veredas escuras e acorde os sentidos.
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Memórias douradas ou Do poder do riso ou Porque, à vez, todos somos palhaços neste circo
Entre a mais nova e o mais velho deste grupo distavam uns seis anos, mas era habitual brincarmos todos juntos nas traseiras do prédio ou no jardim em frente.
Às vezes escapulíamo-nos para um café que havia ao lado para ver os mais velhos jogar bilhar e também para pedir caricas para fazer corridas.
Era comum os rapazes jogarem à bola enquanto as meninas, iam assistindo aos jogos ou jogavam à macaca.
Lembro-me de fugirmos todos de uma vizinha rezingona do rés-do-chão que, mal nos ouvia na galhofa, corria-nos a poder de palavrões e ameaças, com medo que lhe sujássemos a roupa acabada de estender. Não foram raras as vezes em que fomos todos mais cedo para casa graças às imprecações da senhora.
Brincávamos na rua até o sol se pôr.
Houve um ano em que três dos rapazes fizeram um carrinho de rolamentos que, à vez foi experimentado por todos numa estrada, onde hoje, tal feito seria impensável.
O jardim, em frente a minha casa, era o nosso reino e passávamos tardes ali, bem contados os dias terão sido os anos a brincar entre aquelas árvores. Hoje quando passo lá não me parece grande coisa, mas naqueles tempos, era enorme e belo.
Naquela época, eu era das mais novas do grupo e quando alguma coisa corria mal, fosse porque me magoava, porque subia a uma árvore e depois não conseguia descer… sempre que acabava a ameaçar choro, de joelhos esfolados ou vestido rasgado, ou mesmo a chorar à séria, havia sempre um dos mais velhos que sabia parar-me o choro e afastar o medo.
Os mais novos, por muito empatas que fossem, e sei agora que conseguíamos sê-lo, eram sempre protegidos.
O P., em particular, sabia sempre como me secar as lágrimas. Fazia-me rir. Com piadas, graçolas, cócegas ou a atirar-se para o chão como um aprendiz de Buster Keaton, estacava-me o choro, invariavelmente arrancava-me um sorriso e só parava até ter a certeza que a gargalhada chegava para ficar.
Lembrei-me hoje destes tempos, vistos à distância dos anos com uma assumida patine dourada, num jantar com uma querida amiga.
Ao falar com ela, a senti-la tão cansada e triste, a querer acordar a chama que eu sei que ela possui mas que está um bocadinho apagada, lembrei-me de mim com uns sete anos e do P. que, na inocência dos seus onze anos, sabia que era com o riso que se afastam os fantasmas.
É com a luz que se apaga a escuridão e hoje tentei fazer a minha amiga rir. Rir com os meus disparates, rir com a alegria que hoje consegui ter para partilhar com ela, para a contagiar um bocadinho.
Se é assumido que tenho momentos de profunda tristeza e muita escuridão, quando alguém que amo mergulha nesse lago, procuro em mim aquilo que aprendi sobre o poder de um sorriso e, se for preciso sou a “palhacinha de serviço”, desde que consiga fazer nascer um sorriso que, tantas vezes, é quanto basta para rasgar um dique de trevas e abrir a porta para a luz.
Terça-feira, Julho 21, 2009
Palavras com som
Ou porque por estes dias se fala da Lua ... e, afinal, parece que podemos chegar lá com palavras...
(Tony Bennett ,"Fly me to the moon")
Segunda-feira, Julho 20, 2009
A negação do Amor ou Hoje deu-me para isto, amanhã talvez não diga o mesmo
Contudo, se o podemos negar, creio que não o podemos escolher.
Não se escolhe o amor, ele acontece.
A grande maioria das vezes surpreende-nos e brinca connosco.
Sem aviso arrebata-nos e entontece-nos, goza com as nossas ideias preconcebidas, brinca sem piedade com a razão que julgamos ter e faz-nos perder a compostura.
Tiraniza ou possui com doçura, agita, comove e, por vezes, convence e torna-se vencedor.
O amor pode ser negado quando o sentimos chegar ou mesmo quando já está instalado como um inquilino impertinente.
Nega-se por cobardia, por medo do desconhecido, por receio de investir. Nega-se estupidamente num medo irracional de uma felicidade que se estranha e receia ,naquilo que possa abalar do que somos ou julgamos ser.
Fugimos para nos proteger, para proteger quem está do outro lado.
Escudamo-nos em argumentos que nos convencem e avançamos obstinados, numa marcha que será sempre inglória, porque o amor não é um acto de razão, ponderado e decidido, pesado numa balança de prós e contras. Isso acontece mas não é amor, não sei que seja, nem me interessa saber, sei apenas que não é amor.
Por isso não se escolhe quem amar e o amor é um milagre, raro, belo, que deve ser protegido e acarinhado, tão respeitado quanto venerado.
Já o neguei, já fugi dele, já me enganei a tentar iludi-lo. Houve tempos em que acreditei, à superfície da minha pele, que o tinha vencido, que ele era derrotado em mim. Mas ele vivia escondido, no íntimo, no âmago da alma e venceu-me as razões e explicações até se tornar dono e senhor sobre tudo. Fui feliz nessa derrota que, afinal, foi vitória. Independentemente do que veio depois, tê-lo vivido foi sublime e deixou-me no ser a certeza que, acima de tudo, o que nos redime e salva é, somente, o amor.
E, nos encontros e desencontros, entre os risos e as lágrimas, entre os sonhos abraçados e os castelos desfeitos, tudo me confirma que não se escolhe a quem amar, por mais racional, certo e arrumado que seja, por mais simples e fácil, por mais composto e confortável que se possam afigurar as outras escolhas… O caminho do amor não é uma opção, é um sentir, que se tem ou não.
Palavras com som ou Música ligeira para bater o pézinho
(Lenka,"The Show")
Sexta-feira, Julho 17, 2009
Quinta-feira, Julho 16, 2009
Para onde?
Para onde vão os sonhos, as promessas?
Para onde vão os que se amaram para além da vida, quando o Amor se extingue numa bola de fogo ou fenece numa fogueira que se apaga mansamente?
Para onde vão os corpos frios dos amantes que perderam a memória do prazer que traziam gravado na pele?
Para onde vão as razões que já nos deram forças para vencer batalhas?
Para onde vai o Amor quando se perde o sentir?
Para onde vamos, vazios de Amor, a querer senti-lo outra vez, a ansiar pelo arrebatamento e a entrega na loucura, na vertigem do desejo , do fogo, da força que nos arrebata e rouba a razão mas dá sentido à vida…
Palavras com som
Foi com esta preciosidade que o concerto terminou.
Com esta, que é, para mim, uma das mais belas canções de sempre.
Aqui sinto força e esperança, a certeza de tanto…
Numa noite com estrelas mas sem descobrirmos a lua, o silêncio do que não dissemos, confortou-nos nas palavras que cantámos juntos.
(Jorge Palma,"A Gente Vai Continuar")
Metamorfose
Sou como uma película que, ao ser projectada, mostra os rastos do movimento.
Não sou nunca uma só imagem, definida, mas sou esta passagem contínua do que deixo e daquilo em que me vou tornando.
Sinto-me num estado consciente do meu caminhar, e o meu eu que emerge, surpreende o meu eu que fenece, porque há um momento, breve, em que o meu eu que parte ainda se toca pelo meu eu que chega.
Nesse cruzamento efémero, os dois olham-se e falam-se como se fossem pessoas distintas e não a mesma essência em transformação perpétua.
Quarta-feira, Julho 15, 2009
Palavras com som ou Uma canção que não me sai da cabeça ou Revelação...
(The Divine Comedy, "The Nightwatchman")
Divagações que talvez só façam sentido na minha cabeça
Tenho horror a tornar-me numa pessoa demasiado calculista, que pesa tudo com a frieza da racionalidade, incapaz de oferecer a margem de liberdade e receptividade necessárias, para que o imprevisto me arrebate e leve a olhar o mundo, as pessoas, a vida, sob outra luz, até então desconhecida.
Embora tenha dias em que me sinto aburguesada, nesta minha existência de algum conforto e estabilidade, a monotonia assusta-me.
Apesar da rotina, entranhada no aconchego do que é relativamente seguro, continuo a sentir o desassossego de quem quer e precisa de mais.
A mornidão sempre me perturbou. Repugna-me o comodismo pardo que espalha sobre as vidas um manto pesado de imobilidade e conformismo, acabando por, a prazo, esvair a força necessária para prosseguir, chegar mais longe, superarmo-nos.
O tempo e a vida têm-me domado, é certo, mas também ensinado a ser mais flexível, mais permeável às mudanças, mais atenta à voz do “outro”.
Sou de ideias bem definidas, mas tenho aprendido a escutar e a observar, num processo que continuo a aprender a cada dia, num caminho nem sempre fácil, nem sempre dócil, mas no qual acredito.
Para mim esse é o caminho da partilha, do abrir portas, do estender mãos, o caminho em que aprendemos e ensinamos, em que damos e recebemos. Só assim faz sentido viver, sem nos fecharmos nas nossas torres de marfim, com as nossas verdades, razões e ideias rígidas, acomodados em almofadas de comodismo, seja no trabalho, nos afectos...
Manter a porta aberta é estar preparado para mais, é aventurarmo-nos a ir por caminhos que não estavam previstos, é dar possibilidades ao inesperado…
É acordar um dia de manhã e repensar os nossos próprios dogmas e estender os braços para o que não se sabe mas ao qual decidimos dar uma oportunidade, sem pensar nas implicações.
Não se trata de um acto de inconsciência ou irresponsabilidade, vejo-o antes como uma postura de humildade, temperada com alguma ousadia.
Talvez seja neste gesto que reside a diferença entre aqueles que se apagam e aqueles que se tornam faróis... Quem se abre aos outros dá-se e recebe, é tocado mas também toca e isso é o que faz girar o mundo.
Palavras com som ou Espectáculo total...
(Maria Bethânia, "Você e eu/O-mais-que-perfeito/Como dizia o poeta")
Segunda-feira, Julho 13, 2009
Imaginação
A realidade finta-nos a imaginação e, quase sempre, se revela bem mais delirante que os sonhos mais extravagantes.
Raramente a vida se desenrola no seguimento dos sonhos e idealizações de outros tempos. Ansiamos, desejamos, queremos, planeamos, num agora que depressa passa e, quando chegamos ao tempo antecipado, constatamos que praticamente nada aconteceu como sonhado no tal agora que é já ontem, mas que não chegou a ser presente.
Olho para mim hoje e não estou onde imaginava. Estou longe, não sei se melhor ou pior, não quero entrar em considerações e especulações estéreis. Sei apenas que não estou onde imaginei. O meu presente, que já foi o meu futuro, é diferente do que imaginei.
Estou bem aqui, sinto-me confortável no meu mundo, nas minhas pessoas, em mim. Mas não me sinto inteira, não sou satisfeita, tenho ânsia de mais.
Não imagino, procuro não imaginar, o que não quer dizer que não deseje ou sonhe.
Sonho.
Desejo.
Deixo-me ir, entre o presente e o futuro, a tentar viver cada momento do hoje, porque o ontem passou e o amanhã pode não chegar.
Domingo, Julho 12, 2009
A very long day...
Foi um dia com instantes de sublime beleza e de alguns amargos de boca.
Foi um dia longo, que perdura…
No casamento dos meus amigos sentia-se a harmonia do jovem casal, a felicidade em estado puro. Eu estava, estou, feliz por eles, por terem chegado ali, depois de vencidos obstáculos que, por um tempo, pareciam ameaçar tudo.
Os meus amigos souberam crescer juntos e ultrapassaram provações e dúvidas, que os fortaleceram enquanto indivíduos e, sobretudo, enquanto casal. Vejo-os consolidados no sentimento que os une.
Ao partilhar o dia do casamento, senti-me abençoada, pelo amor deles, pela amizade que temos e porque continuo a acreditar na união de duas pessoas que se amam.
Continuo a acreditar mesmo quando me deparo com a ruína.
Na minha mesa estava um casal, que conheço superficialmente, mas com quem simpatizo e tenho partilhado algum social. Gente interessante, bem sucedida, divertida, uma família aparentemente perfeita. Casados há 20 anos, dois miúdos bem formados, educadíssimos, inteligentes. Enfim, a epítome da família perfeita… Não são nada disso.
Durante o almoço notei uma certa crispação entre ambos, e a postura sedutora que ele adoptou não me pareceu adequada.
“Estão num processo de divórcio litigioso, continuam a viver na mesma casa, mas é um inferno.”, disse-me alguém que os conhece melhor.
Muita coisa fez sentido perante aquela frase. Lamento-os.
Tal como lamento o olhar infeliz de um amigo que me pede palavras que não lhe posso dar.
O nosso tempo, a ter existido, já passou. Ambos sabemos que nunca teria dado certo. Eu fui incapaz de retribuir o amor que ele me devotou. Não se gosta de quem se quer, não há escolhas no Amor, acontece ou não.
Ele confidenciou-me coisas que eu não devia saber, não agora, porque não é legitimo que eu lhe saiba a infelicidade que não posso curar.
Vejo-o com a namorada ao lado. Ela tem menos dez anos que eu. É uma miúda. Ao olhá-lha tenho uma ideia vaga de como fui noutra vida, noutro tempo.
Lamento-os. Os dois infelizes. E o olhar dele, tão profundo, tão docemente triste.
Brindamos aos noivos. Brindamos à felicidade que desejamos genuína. Brindamos todos juntos, os casais felizes, os apaixonados, os que vivem de fachada, os que estão perdidos. Brindamos…
Acabo a noite no Alive.
Dois anos depois espero com impaciência mal disfarçada e uma expectativa mal gerida o regresso da Dave Matthews Band.
Já passaram mais de dois anos, desde aquela noite em que acreditei que a minha vida mudara. Mudou. Naquela noite, inesquecível, mudou tanto… passaram mais de dois anos e eles estão de volta.
Eu sou outra pessoa e espero. Mudei.
O concerto foi fabuloso. Sem poder comparar, porque um espectáculo num festival é sempre diferente de um recinto fechado. De novo uma entrega total entre o público e os músicos, numa simbiose quase transcendente. Sublime.
Para mim o momento alto aconteceu quando adivinhei os primeiros acordes de #41. Entreguei-me.
Confirmaram-se como a maior banda que conheço, na humildade que têm em palco e em simultâneo no prazer puro de fazer o que fazem com um despojamento absoluto.
São grandes. Vão voltar, é garantido.
A noite também se fez no ir de carro e arriscar um lugar mesmo à porta e, no fim, ainda lá estar, sem o terem rebocado. Foi sorte.
Entre milhares de pessoas conseguir encontrar duas amigas que chegaram antes de mim. Foi riso.
Desencontrar-me da única pessoa que queria mesmo ver, que precisava de ver. Falhar esse encontro. Foi azar.
Chegar a casa e deparar-me com um pânico que senti há cinco anos e que pensava não voltar a sentir. Uma carta sinistra à minha espera na porta do carro. Um medo estúpido, talvez exagerado, mas por instantes paralisante.
Vontade de ir dormir para outra casa, mas a certeza de não querer mudar nada das minhas rotinas à conta de uma coisa que não vou permitir que me condicione.
Não consegui dormir. Devia ter ido. Devia ter dito "vem".
Não quero sentir-me assustada.
Foi um dia longo, que perdura…Estou cansada.
Sexta-feira, Julho 10, 2009
Palavras com som ou Já falta pouco ou Em estágio...
(Dave Matthews Band, "You and Me" )
Quinta-feira, Julho 09, 2009
Palavras com som ou Gosto do efeito do clarinete
(Duke Special,"Our Love Goes Deeper Than This")
No mar
Quando a água gelada lhe beijou a pele quente não recuou.
Avançou com uma determinação que suspeitava ter, mas que nunca tinha posto à prova.
Nunca vacilou. Não olhou para a areia dourada e morna uma única vez.
Seguiu até mergulhar sem aparato. Não, na verdade não foi um mergulho. Afundou-se.
Deixou-se deslizar devagar, de olhos abertos e ficou a ver as bolhas de ar que lhe escapavam da boca e os cabelos a flutuarem como se não lhe pertencessem.
Quando tornou à superfície viu-se só. Longe da praia. Sem pé. Mal sabia nadar. Talvez tenham sido as ondas que se apiedaram e cuspiram para terra o corpo cansado.
Não sabe quanto tempo andou no mar.
Com o corpo ainda arranhado e dorido, voltou à água.
Correu, como num desafio e mergulhou.
Mergulhou de cabeça. Mergulhou de corpo e alma.
Não abriu os olhos quando se lançou e não percebeu que o mar não convidava a mergulhos cegos. Regressou à praia.
O mar chama. O mar tem uma canção que inebria.
Passeia-se na beira da água, onde a espuma das ondas rebenta em gotas de luz, mas não deixa que a água lhe passe da cintura.
Quer mergulhar. Precisa de nadar. Tem medo do mar.
Quarta-feira, Julho 08, 2009
"Para atravessar contigo o deserto do mundo" ou Porque ando perdida nas palavras dos outros
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Livro Sexto (1962)
Terça-feira, Julho 07, 2009
Porque depois da "tempestade" ...
...ou Outra maneira de pedir desculpa.
Não gosto de perder as estribeiras, controlo-me bastante e domino o meu génio mau, procurando descomplicar e relativizar os meus fantasmas.
Mas, às vezes, o gatilho dispara e acorda em mim aquilo que tenho de mais negro e fundo.
Aquele meu lado que mais me assusta, espreita, e a avalanche que liberta, cai sobre quem está mais perto.
Perco a razão do que digo e enrolo-me nos meus argumentos, porque me afundo no abismo contra o qual luto todos os dias.
Mas quando a manhã chega, a noite deixa de parecer tão escura...
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Porque eu tenho a mania que sei coisas
A diferença está no simples facto de alguns de nós o admitirem e assumirem sem falsos pudores, enquanto outros tentam escamotear sob camadas de gestos estudados e bonecos bem montados, como personagens de um circo tantas vezes infernal, os mesmos desejos, medos, sonhos e ansiedades.
No fundo, procuramos alguém que nos aqueça os pés nas noites frias e que nos faça tremer de antecipação ao mero som da voz.
Queremos sentir o frémito do desejo e a grandeza da paixão.
Queremos amar e ser amados.
Sentir que podemos encostar a cabeça e confiar.
Estar em casa, em alguém que nos conheça as falhas e os defeitos sem julgamentos, ao mesmo tempo que nos sabe as virtudes e aceita por aquilo que somos, independentemente de encaixarmos, ou não, naquele perfil idealizado que qualquer pessoa tem, por mais maleável que seja às circunstâncias.
Vem isto a propósito de uma conversa que tive durante o almoço, na qual constatámos que, por mais distintas que sejam as vivências, no nosso grupo alargado de amigos e conhecidos, esta busca, que às vezes se torna em fuga e negação, nos toca a todos.
Eu assumo que quero nada menos que a plenitude de um relacionamento a dois.
Não aspiro à perfeição, porque isso, simplesmente, não existe e eu, no meu largo somatório de falhas, defeitos e erros estou muito longe disso.
Não almejo perfeições e fujo o mais que posso das idealizações, minhas e dos outros, que acabam por ser muito redutoras e, invariavelmente, nos levam por caminhos ínvios.
Acredito honestamente que as relações bem sucedidas se constroem sobre bases tanto mais profundas e sólidas, quanto maior for o empenho de ambos e a vontade genuína e assumida de ultrapassar as diferenças e as dificuldades que, naturalmente, existem entre indivíduos distintos.
Acredito no compromisso de parte a parte, nunca na anulação, que é algo que a curto/médio prazo até pode dar dividendos, mas que com o tempo, se torna insustentável.
O sexo, por muito bom que seja, embora fundamental, não é a cola numa relação a longo prazo e, na minha humilde maneira de ver a vida, o que faz duas pessoas caminharem juntas na construção de um caminho comum não começa na cama, mas antes nos gestos quotidianos dos pequenos grandes nadas.
Aquilo que nos sustém é a honestidade, o compromisso e a partilha da intimidade construída numa base diária. É acordar de manhã e dizer: "Não te vou deixar cair. Segura-me…”
Sábado, Julho 04, 2009
Abraço
Tenho saudades de ti e não sabia, ou preferia fingir não saber…
Não consegui suster o teu olhar, talvez por ter receio do que lá pudesse ver e não quis que lesses em mim aquilo que não te posso contar.
Não tenho palavras para te dar e as conversas que não chegámos a ter cresceram entre nós como um rio que não se atravessa a vau.
Teria chegado a amar-te. Ambos sabemos que é verdade.
Eu ter-te-ia amado com devoção e honestidade e tu sabes que aqui serias feliz.
Por mais que os nossos caminhos se afastem, por mais longe que esteja de ti, nunca entenderei porque te foste embora naquela noite de inverno.
Sabes que te esperei mesmo depois de todas as estações rodarem? O calendário diz-nos que estamos no Verão outra vez...
Quando te abracei, por instantes, julguei que era assim que o mundo fazia sentido, mas também sei, melhor que tu, que deixei de te esperar.
Sexta-feira, Julho 03, 2009
Invicta

Quinta-feira, Julho 02, 2009
Para animar...
É certo que não depende exclusivamente da atitude que assumimos, mas é inegável que a nossa postura é determinante para nos iluminar os dias.
Quarta-feira, Julho 01, 2009
Auto-análise ou Desmistificações ou Rapariga, deixa-te de frescuras e faz-te à vida
Ao sentir-me escorregar para o mórbido conforto deste estado de espírito forço-me a levantar e a encarar a vida de frente.
Reviro os olhos com a impaciência mal contida perante o tão ridícula que me sinto com os meus papões e medos e fantasmas e negrumes… Eles não podem ser mais fortes que eu.
No habitual modo de me punir, elevo um bocadinho mais a fasquia que tenho para mim.
Enquanto me esbofeteio com doses maciças de realidade, constato que entre os dias que tive, tenho e terei que são uma valente merda, tenho muito mais motivos para ser grata e me fazer à estrada, porque isto de ficar a lamber feridas, não é vida para mim.
Eu quero é viver e ser feliz e fazer felizes aqueles que tenho comigo…
Tenho os meus momentos de prima-dona, com os meus melodramas burgueses, mas tenho aprendido a desmistificar as coisas e a desconstruir o lado escuro da força…
"After all, tomorrow is another day!"(*)
(*) Scarlett O'hara dixit em Gone with the wind, aquele que é dos meus filmes favoritos e sobre o qual tenho de escrever um destes dias
Out
Como se estes dias não me servissem, como se fossem feitos de roupas demasiado justas e ásperas que me apertam e rasgam a pele macia.
Tenho vergões arroxeados nos sítios onde o tempo me segura com demasiada força.
Em dias assim, sinto que não pertenço a lado algum e estou aqui sem estar.
Flutuo, não na sublime doçura dos encantos, mas no vazio de não me encontrar.
A saudade invade-me, enche-me, faz-me transbordar.
Caminho como se fosse feita de cristal prestes a estalar.
Não vejo rostos na melancolia que me possui como um amante egoísta.
É a mim que me lamento neste desencontro ao olhar-me como se visse um quadro que não chegou a ser acabado.
Vejo o esboço mas não percebo as cores nem a tela inteira.
É de mim que tenho saudade…
Quero despir-me deste espartilho e correr nua até me encontrar.
Palavras com som ou Porque às vezes sinto que nasci fora do meu tempo
(Cocteau Twins,"Know Who You Are At Every Age")




