(This Mortal Coil," Song To The Siren")
Terça-feira, Junho 30, 2009
Palavras com som ou Como é que demorei tanto tempo a encontrar estes senhores?
(Hooverphonic,"This Strange effect ")
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Segunda-feira, Junho 29, 2009
Lido XLV
"...o homem é o único animal que precisa de se atordoar para manter o juízo... ao fim e ao cabo, até a filosofia mais trivial ensina que a vida se parece mais com um quadro de Bosch do que com um bucólico almoço na relva."
A Ofensa
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Lido
Palavras sagradas

Falo muito. Ás vezes demasiado.
Precipito-me e mergulho na cascata das emoções que depois explico mal na catadupa das palavras que solto.
Mas também aprendi a ser parcimoniosa no uso de palavras preciosas.
Mas também aprendi a ser parcimoniosa no uso de palavras preciosas.
Guardo-as como tesouros que não devem, não podem, ser entregues sem a noção exacta do seu peso e valor.
Existem palavras que não atravessam os meus lábios há muito tempo, pois só quando nascem no coração e crescem em mim até não caber mais, só então as liberto.
Entrego-as à liberdade de quem as recebe, na esperança que as acolha e guarde no local sagrado onde se mantêm vivos os tesouros da alma.
Tenho palavras sagradas, como tapetes preciosos que só estendo ao pisar de quem creio ser digno.
Tenho palavras sagradas, como tapetes preciosos que só estendo ao pisar de quem creio ser digno.
Demoro. Demoro muito tempo a dizê-las.
Começo por as ensaiar sozinha, no segredo do pensamento que, de início, visito a medo.
Aprendo-as, até as saber de cor por entre risos que escapam, lágrimas que se escondem, silêncios que falam, toques que lavam, sons que acordam gigantes adormecidos que se erguem pelo poder do incompreensível e do indomável.
Ensaio-as baixinho, para que mais ninguém escute e eu aprenda a reconhecer nelas a minha voz .
Se o dia chegar, acabo por entregá-las sem ostentação, mas na oferta da minha plenitude, para que eu vá e seja recebida no esplendor sagrado e único da palavra que digo, a palavra que me leva em si…
Se o dia chegar, acabo por entregá-las sem ostentação, mas na oferta da minha plenitude, para que eu vá e seja recebida no esplendor sagrado e único da palavra que digo, a palavra que me leva em si…
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Livros (10)
Chegou às minhas mãos de uma forma invulgar e consigo trouxe muito mais que a história fabulosa de um homem incomum.A mestria narrativa e o rigor da investigação de Tom Reiss, conduziram-me por caminhos insuspeitos e levaram-me a paisagens mais familiares, agora desvendadas sob cores que desconhecia.
O Orientalista, conta a história de um judeu, convertido ao Islão, num tempo que mudou a História da Humanidade.
Desde a ascensão do Bolchevismo até meados da II Guerra, é a biografia de um homem, mas sobretudo de uma Europa a fervilhar na mudança de paradigma.
Entre comunistas, nazis e fascistas, empurrado entre um Oriente e um Ocidente que, verdadeiramente, não se conhecem nem compreendem, numa oscilação permanente até na busca por si próprio, caminhamos a par com um homem que atravessou a vida como um trágico meteorito de exuberância e criatividade.
Personagem onírico na sua própria existência, construído e vivido a uma tal profundidade que às tantas se confundem todos os personagens que Lev foi, sem se saber exactamente onde acaba ou começa a realidade e a ficção dentro do próprio homem.
Terminei de o ler ontem à tarde e não é precipitado afirmar que é um dos livros da minha vida, sobretudo por aquilo que está para além das suas páginas, por tudo aquilo que, graças a ele, influiu no meu percurso enquanto ser...
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Sábado, Junho 27, 2009
Sexta-feira, Junho 26, 2009
Baloiços, memórias, saudades e lições de vida

Descobri aqui há uns tempos que o parque infantil da minha meninice desapareceu. Foi demolido, alcatroado e agora é uma variante rodoviária.
Adorava lá ir quando era miúda.
Ficava num eucaliptal onde estava sempre fresco.
O ar cheirava bem naquele lugar e as árvores altas coavam o sol que fazia desenhos de renda na pele.
Debaixo das escadas havia um fontanário onde eu me encharcava sempre que tentava beber sozinha. Lembro-me do dia em que uma abelha, escondida na torneira, me picou. O susto, o choro, os gritos… o abraço forte do meu pai…
O parque tinha baloiços antigos, feitos de metal, com rebites à mostra, correntes de ferro e o chão era de areia, nem sempre muito limpa. Tinha de um lado uma sebe de buxo a cercá-lo e do outro um murinho de pedra, então demasiado alto para que me conseguisse sentar nele.
No centro tinha um carrossel de cadeirinhas, que rodava à força de braços. Não ficava tonta e queria sempre mais uma volta. Foi naquele carrossel que a S partiu a perna a primeira vez. Éramos avisadas para não pôr as pernas nem as mãos no eixo, mas ela esticou a perna, naquela maneira estouvada que tinha para desafiar as regras e fomos dali para o hospital. Tenho a certeza que foi num sábado à tarde.
De todos os baloiços o meu favorito era o que tinha três cadeiras. Sentava-me na do meio e pedia balanço. “Mais força… mais depressa… mais alto…”. Horas. Conseguia passar horas ali… ou então não seriam horas mas, na minha medida infantil do tempo, pareciam horas de felicidade pura.
Os escorregas eram dois, um dos quais muito alto, alto até para um adulto. Pergunto-me como foi possível terem feito uma coisa daquele tamanho.
Era um desafio considerável. Debati-me com ele durante anos.
Inicialmente porque ninguém me deixava aproximar daquela enormidade de escadas, mais tarde porque se tornou nm desafio que eu tinha de ultrapassar, mas a subida parecia-me íngreme, infinita.
A primeira vez que desci o escorrega grande foi plena, na sensação de triunfo, o arrepio nas costas na descida, o rosto afogueado e as pernas a tremer quando me levantei…E o orgulho, cúmplice, na troca de olhares com os meus pais.
Fui uma criança feliz, tão docemente feliz, naquele tempo da vida em que não há ainda a noção do que possa ser a felicidade.
E hoje? Hoje a felicidade continua a ser o subir ao escorrega mais alto do parque e vencer o desafio...
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Palavras com som ou Song #2 ou O tanto que eu estou a gostar do Grux
(Dave Matthews Band ,"Shake me like a monkey")
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Quinta-feira, Junho 25, 2009
Da valsa ao tango
No início de um relacionamento, seja entre colegas de trabalho, numa amizade a brotar ou de amantes a descobrirem-se…no início, dizia, vamos pisando devagar um com o outro, como num ensaio de uma valsa lenta.
Cuidadosos, com receio de pôr o pé em falso, inseguros até com as palavras, com o acertar das ideias, cerimoniosos nos gestos, na procura de um olhar que tranquilize, de uma comunhão que assegure que estamos a ir pelo caminho certo.
Uma palavra mal percebida, um gesto mal interpretado, pode deitar a perder uma construção que, por estar tão no início, facilmente cairá por terra.
Tem de existir, de parte a parte, o cuidado e a sensibilidade para sentir o outro, sem nos anularmos e fazer valer a nossa posição sem violentar quem está do outro lado.
Respeito, talvez seja chave para um bom começo.
Gosto de começos auspiciosos e, regra geral, dou o beneficio da dúvida. Pago para ver. Mesmo má jogadora como sou, não tenho por hábito recuar.
Tento conhecer, tento perceber quem vem e, acima de tudo quem eu sou agora...
Com o tempo, com as coisas boas e com as verdadeiramente más que já vivi, fui aprendendo a relativizar e a desconstruir muitos dos meus fantasmas. Hoje, procuro caminhar de vela na mão, a tentar dar alguma luz à minha escuridão.
Tenho medo do escuro talvez porque vivi nele durante muito tempo, embora quem hoje me conhece, não imagine sequer, que houve um tempo em que ponderei não fazer a curva e atirar-me no abismo…
Talvez seja por isto e por muito mais,que só quem conseguir ler-me a alma poderá pressentir, eu começo por dançar uma valsa lenta mas prefiro de longe, um tango arrebatado…
E, todos os dias, dou graças por ter feito aquela curva.
Cuidadosos, com receio de pôr o pé em falso, inseguros até com as palavras, com o acertar das ideias, cerimoniosos nos gestos, na procura de um olhar que tranquilize, de uma comunhão que assegure que estamos a ir pelo caminho certo.
Uma palavra mal percebida, um gesto mal interpretado, pode deitar a perder uma construção que, por estar tão no início, facilmente cairá por terra.
Tem de existir, de parte a parte, o cuidado e a sensibilidade para sentir o outro, sem nos anularmos e fazer valer a nossa posição sem violentar quem está do outro lado.
Respeito, talvez seja chave para um bom começo.
Gosto de começos auspiciosos e, regra geral, dou o beneficio da dúvida. Pago para ver. Mesmo má jogadora como sou, não tenho por hábito recuar.
Tento conhecer, tento perceber quem vem e, acima de tudo quem eu sou agora...
Com o tempo, com as coisas boas e com as verdadeiramente más que já vivi, fui aprendendo a relativizar e a desconstruir muitos dos meus fantasmas. Hoje, procuro caminhar de vela na mão, a tentar dar alguma luz à minha escuridão.
Tenho medo do escuro talvez porque vivi nele durante muito tempo, embora quem hoje me conhece, não imagine sequer, que houve um tempo em que ponderei não fazer a curva e atirar-me no abismo…
Talvez seja por isto e por muito mais,que só quem conseguir ler-me a alma poderá pressentir, eu começo por dançar uma valsa lenta mas prefiro de longe, um tango arrebatado…
E, todos os dias, dou graças por ter feito aquela curva.
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Quarta-feira, Junho 24, 2009
Sublime
Gosto imenso do trabalho deste SENHOR (a caixa alta é propositada).Já tive o privilégio de o ver actuar acompanhado pelos outros artistas de excepção que, com ele, enchem o palco e preenchem quem os admira.
Adoro concertos, sentir a proximidade da arte a brotar perante nós, numa sala cheia, unida debaixo de um mesmo propósito e, quando se consegue a comunhão plena da plateia com o artista, atingem-se momentos de rara beleza. Com Rodrigo Leão, isso acontece.
Neste instante, é com indisfarçável prazer que desvendo o recém-editado A Mãe.
Magnifico é o que me apraz dizer.
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Terça-feira, Junho 23, 2009
A dor na alma
Chega forte e avassaladora ou então vem de mansinho, sinuosa. Venha como vier, fica quando a hospedamos por mais tempo que o devido.
Instala-se como um verme que se alimenta da alma, dos sonhos, dos medos. Engorda, cria garras e aperta-nos até ao sufoco. Tolda-nos a visão e distorce-nos as palavras. Tapa os ouvidos à música que nos chama para dançar e prende-nos os pés. Deixamos de ter movimentos para abraçar quem nos estende os braços e paramos, trancados dentro da estátua em que ela nos mantém reféns.
A dor mina tudo o que somos.
Afasta-nos de nós próprios e dos outros, ao roubar-nos a confiança na simplicidade, enquanto nos instila medos e visões distorcidas do que está para lá do véu negro em que ela nos envolveu.
A dor chega a confundir-se com o medo, com a antecipação dos fracassos, com a culpa, com uma necessidade de castigo numa punição auto-infligida.
Eu conheço a dor. A dor que ata e mói. A dor da decepção, da impotência, da mentira, da revolta, da perda, da morte.
A dor prendeu-me nesse tal abraço de ferro muito para além do tempo dos lutos. A dor ficou e comandou até ao dia em que eu, na minha fraqueza, no meu temor, fui mais forte que ela e rasguei a máscara que usava.
Se é verdade que a vida só tem sentido nas antíteses que nos dá a conhecer, a dor faz parte do percurso, mas não a podemos alimentar, sob pena dela nos roubar o viver.
Instala-se como um verme que se alimenta da alma, dos sonhos, dos medos. Engorda, cria garras e aperta-nos até ao sufoco. Tolda-nos a visão e distorce-nos as palavras. Tapa os ouvidos à música que nos chama para dançar e prende-nos os pés. Deixamos de ter movimentos para abraçar quem nos estende os braços e paramos, trancados dentro da estátua em que ela nos mantém reféns.
A dor mina tudo o que somos.
Afasta-nos de nós próprios e dos outros, ao roubar-nos a confiança na simplicidade, enquanto nos instila medos e visões distorcidas do que está para lá do véu negro em que ela nos envolveu.
A dor chega a confundir-se com o medo, com a antecipação dos fracassos, com a culpa, com uma necessidade de castigo numa punição auto-infligida.
Eu conheço a dor. A dor que ata e mói. A dor da decepção, da impotência, da mentira, da revolta, da perda, da morte.
A dor prendeu-me nesse tal abraço de ferro muito para além do tempo dos lutos. A dor ficou e comandou até ao dia em que eu, na minha fraqueza, no meu temor, fui mais forte que ela e rasguei a máscara que usava.
Se é verdade que a vida só tem sentido nas antíteses que nos dá a conhecer, a dor faz parte do percurso, mas não a podemos alimentar, sob pena dela nos roubar o viver.
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Segunda-feira, Junho 22, 2009
Coincidências
Gosto de coincidências talvez porque não acredito nelas.
Prefiro abraçar a ideia do sentido das coisas, não que aconteçam por algum determinismo, destino ou rota traçada, mas na crença, pueril quem sabe, de que por um qualquer motivo, disfarçado de acaso, os fios que somos, algures sem explicação aparente, são entrelaçados e tecem novas fibras, fazem novas cores, abrem novas perspectivas, prendem-nos e libertam-nos em simultâneo.
Não sei explicar com a clareza das palavras aquilo que sinto perante coincidências que me deixam na boca um sabor mais redondo e perpétuo, sobretudo quando certas sobreposições me trazem um gosto doce, senão das compensações (outra coisa que não creio que exista), mas do conforto de uma paz, há muito desejada.
Vem isto a propósito deste dia em particular, um data que nos últimos três anos me tem sido difícil e que todos os dias revisito nem que por breves instantes. Há três anos atrás este foi o dia de pior memória na minha vida. Hoje, numa volta inesperada, por coincidências em que, repito, não acredito, sobrepõe-se agora a este sabor acre ,um gosto doce, que me pacifica e reconcilia com a vida.
E estou bem assim.
Suits me well… just the way it is!
Prefiro abraçar a ideia do sentido das coisas, não que aconteçam por algum determinismo, destino ou rota traçada, mas na crença, pueril quem sabe, de que por um qualquer motivo, disfarçado de acaso, os fios que somos, algures sem explicação aparente, são entrelaçados e tecem novas fibras, fazem novas cores, abrem novas perspectivas, prendem-nos e libertam-nos em simultâneo.
Não sei explicar com a clareza das palavras aquilo que sinto perante coincidências que me deixam na boca um sabor mais redondo e perpétuo, sobretudo quando certas sobreposições me trazem um gosto doce, senão das compensações (outra coisa que não creio que exista), mas do conforto de uma paz, há muito desejada.
Vem isto a propósito deste dia em particular, um data que nos últimos três anos me tem sido difícil e que todos os dias revisito nem que por breves instantes. Há três anos atrás este foi o dia de pior memória na minha vida. Hoje, numa volta inesperada, por coincidências em que, repito, não acredito, sobrepõe-se agora a este sabor acre ,um gosto doce, que me pacifica e reconcilia com a vida.
E estou bem assim.
Suits me well… just the way it is!
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Palavras com som ou Coincidência ou talvez não...
Quando no frio da manhã, liguei o rádio do carro, antes de iniciar a viagem, foi esta a música que me recebeu num novo amanhecer...
"Please don't, please don't, please don't
There's no need to complicate..."
(Jason Mraz.," I'm yours")
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Sexta-feira, Junho 19, 2009
Palavras com som ou Vamos todos cantar alto, em coro com o Sr. Francisco
(Frank Sinatra,"I get a kick out of you" )
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Destino
"Nunca estive destinado a ser amado...", murmurou antes de mergulhar na escuridão da noite.
Estava quente naquela noite. O céu parecia feito de veludo negro, sem uma estrela que se visse e a lua não era mais que uma certeza de quem a conhecera porque, naquela noite, não havia luar.
Naquela noite também não havia esperança, só o abandono de quem, há muito, deixou de acreditar.
Caminhava cabisbaixo e coxeava ligeiramente. Teve fome e lembrou-se que não comia desde a véspera e que mal tinha dormido nas últimas noites.
Lançou-se no escuro vindo do nada, porque era nada o que se sentia.
Quando passava em frente às portas dos prédios, desviava o olhar para não se ver reflectido nos vidros que as porteiras poliram durante o dia.
"Nunca estive destinado a ser amado", repetia para si, uma e outra vez. Repetia aquela frase para se forçar a acreditar nela. Se acreditasse naquilo nunca mais seria desiludido, nunca mais voltaria a procurar amor, nunca mais voltaria a sentir e agora, não sentir era tudo o que queria.
"Nunca estive destinado a ser amado..."
Adormeceu a repetir baixinho aquela frase maldita, a que se agarrava para se sentir vivo.
Acordou no sobressalto de um abraço.
Um abraço apertado feito de braços doces e risos fáceis. Cercavam-no faces brilhantes e vozes calmas.
"Podemos levá-lo? Por favor... Ele precisa de ser amado."
As crianças abraçaram-no com força e aquele abraço aqueceu-lhe o coração, que voltou a bater com esperança. Os adultos sorriram complacentes e a mulher falou-lhe:
"Bem vindo à familia...que nome te haveremos de dar?"
O cão sorriu. Ele esperava que eles tivessem percebido o sorriso. Que estava feliz perceberam de certeza.
Apertado entre os miúdos, no banco de trás do carro, ladrou alto, feliz:
"ESTAVA DESTINADO A SER AMADO"
Estava quente naquela noite. O céu parecia feito de veludo negro, sem uma estrela que se visse e a lua não era mais que uma certeza de quem a conhecera porque, naquela noite, não havia luar.
Naquela noite também não havia esperança, só o abandono de quem, há muito, deixou de acreditar.
Caminhava cabisbaixo e coxeava ligeiramente. Teve fome e lembrou-se que não comia desde a véspera e que mal tinha dormido nas últimas noites.
Lançou-se no escuro vindo do nada, porque era nada o que se sentia.
Quando passava em frente às portas dos prédios, desviava o olhar para não se ver reflectido nos vidros que as porteiras poliram durante o dia.
"Nunca estive destinado a ser amado", repetia para si, uma e outra vez. Repetia aquela frase para se forçar a acreditar nela. Se acreditasse naquilo nunca mais seria desiludido, nunca mais voltaria a procurar amor, nunca mais voltaria a sentir e agora, não sentir era tudo o que queria.
"Nunca estive destinado a ser amado..."
Adormeceu a repetir baixinho aquela frase maldita, a que se agarrava para se sentir vivo.
Acordou no sobressalto de um abraço.
Um abraço apertado feito de braços doces e risos fáceis. Cercavam-no faces brilhantes e vozes calmas.
"Podemos levá-lo? Por favor... Ele precisa de ser amado."
As crianças abraçaram-no com força e aquele abraço aqueceu-lhe o coração, que voltou a bater com esperança. Os adultos sorriram complacentes e a mulher falou-lhe:
"Bem vindo à familia...que nome te haveremos de dar?"
O cão sorriu. Ele esperava que eles tivessem percebido o sorriso. Que estava feliz perceberam de certeza.
Apertado entre os miúdos, no banco de trás do carro, ladrou alto, feliz:
"ESTAVA DESTINADO A SER AMADO"
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Quinta-feira, Junho 18, 2009
Palavras com som ou Música para ouvir na selva ou Song for L
"Sleep in peace when day is done..."
(Nina Simone,"Feeling Good")
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Quarta-feira, Junho 17, 2009
Navegação
Navios de grande porte são feitos para suportar viagens de longo curso, muitas vezes em mares tempestuosos.
Não são construídos para atravessar lagos calmos. Estão preparados para viagens transatlânticas, para circum-navegar o mundo e partir à descoberta.
Não são construídos para atravessar lagos calmos. Estão preparados para viagens transatlânticas, para circum-navegar o mundo e partir à descoberta.
São navios que transmitem segurança e conforto, mesmo quando a imensidão do mar nos dá a verdadeira medida da nossa fragilidade.
Se eu fosse um navio, gostava de ser um veleiro. Fazia-me ao mar de velas enfunadas e ia ao sabor do vento e da maré. Entre oceanos de paz e mares de temporal, enfrentaria os meus Adamastores, dobraria os meus Cabos das Tormentas, descobriria o caminho para a minha Ilha dos Amores.
Talvez as pessoas sejam como as embarcações. Navios de guerra, barcos de pesca, canoas, veleiros, couraçados, caravelas, catamarans… cruzamo-nos entre marés, navegamos a par ou em fuga, uns atacam outros socorrem… somos barcos, a navegar, à vez, com rotas marcadas ou à deriva.
Seja como for, o mar é sempre maior e mais forte e, em última análise é ele que decide se nos traga num vórtice ou se nos deixa atracar a bom porto...
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Lido XLIV
"Strange, how seldom a person knows which days of his life are tragic and which are happy..."
The Orientalist
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Segunda-feira, Junho 15, 2009
Ressaca
Umas manhãs ressacamos dos amores que não deram certo e nos deixaram um amargo na boca, uma azia de fel que, se nos mexermos, ainda assoma à boca e deixa mau hálito.
Outras vezes vivemos na ressaca de dias que não esperávamos e nos apanharam de surpresa nos risos que trouxeram. Damos por nós no meio do trânsito ou na fila interminável do supermercado a sorrir à lembrança de dias assim e assustamo-nos perante o inesperado das improbabilidades da vida.
E, entre o que foi, o que é, o que poderia ter sido e o que será, ressacamos, com medo dos fantasmas, com o peso das deduções (i)lógicas, em jogos mentais que exercitamos no nosso íntimo, mais que com os outros que estão do lado de lá dos dias que nos puxaram até aqui.
Ressacamos, com o corpo dorido pelas lembranças do que não quisemos ou pelo desejo do que ambicionamos, a cabeça a rodopiar como um carrossel gigante e pesado, no turbilhão das ideias pré concebidas e das desilusões que temos coleccionado no caminho, a náusea que nos desequilibra os passos, na dúvida entre o que pensamos saber e o salto no desconhecido.
No fundo, acho que andamos todos de ressaca...
Outras vezes vivemos na ressaca de dias que não esperávamos e nos apanharam de surpresa nos risos que trouxeram. Damos por nós no meio do trânsito ou na fila interminável do supermercado a sorrir à lembrança de dias assim e assustamo-nos perante o inesperado das improbabilidades da vida.
E, entre o que foi, o que é, o que poderia ter sido e o que será, ressacamos, com medo dos fantasmas, com o peso das deduções (i)lógicas, em jogos mentais que exercitamos no nosso íntimo, mais que com os outros que estão do lado de lá dos dias que nos puxaram até aqui.
Ressacamos, com o corpo dorido pelas lembranças do que não quisemos ou pelo desejo do que ambicionamos, a cabeça a rodopiar como um carrossel gigante e pesado, no turbilhão das ideias pré concebidas e das desilusões que temos coleccionado no caminho, a náusea que nos desequilibra os passos, na dúvida entre o que pensamos saber e o salto no desconhecido.
No fundo, acho que andamos todos de ressaca...
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Quinta-feira, Junho 11, 2009
O conforto dos dias simples
Gosto do conforto dos dias simples.
Daqueles dias em que somos nós, sem nada a provar, nada a esconder.
Dias simples em que rimos de piadas a que mais ninguém acharia graça.
Dias em que o silêncio não é constrangedor mas de comunhão.
Gosto do conforto dos dias simples que se tornam dias para guardar e repetir.
Daqueles dias em que somos nós, sem nada a provar, nada a esconder.
Dias simples em que rimos de piadas a que mais ninguém acharia graça.
Dias em que o silêncio não é constrangedor mas de comunhão.
Gosto do conforto dos dias simples que se tornam dias para guardar e repetir.
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Terça-feira, Junho 09, 2009
Instinto
Gosto mesmo de coisas decididas no impulso do momento.
É certo que, por vezes, depois me arrependo mas, na maior parte das ocasiões dou por bem apurado o meu instinto.
Pesar tudo demasiado pode impedir-nos de agir no tempo certo e aquela janela mínima de momento e oportunidade, perde-se para sempre.
E depois há coisas que vêm até nós de uma forma tão espontânea e impensada que não as segurar seria um sinal de tremenda ingratidão, senão mesmo de hercúlea estupidez.
Há quem possa achar que isto é ser inconsciente, eu gosto de pensar que não… e neste caso, citando um bom amigo “o carro é meu, a gasolina é minha, vamos para onde eu quiser!”
É certo que, por vezes, depois me arrependo mas, na maior parte das ocasiões dou por bem apurado o meu instinto.
Pesar tudo demasiado pode impedir-nos de agir no tempo certo e aquela janela mínima de momento e oportunidade, perde-se para sempre.
E depois há coisas que vêm até nós de uma forma tão espontânea e impensada que não as segurar seria um sinal de tremenda ingratidão, senão mesmo de hercúlea estupidez.
Há quem possa achar que isto é ser inconsciente, eu gosto de pensar que não… e neste caso, citando um bom amigo “o carro é meu, a gasolina é minha, vamos para onde eu quiser!”
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Coisas de gaja...perdão, Senhora Dona Gaja ou A história de uma prevaricação
Mal comi o dia todo por manifesta falta de tempo e pouco apetite.
Entre receber pessoas, fazer conversa de circunstância, aguentar secas com cara alegre e sorriso de "Barbie guia" com a cabeça a milhas dali, mas sem ninguém perceber, cresce-me o desejo incontrolável de comer um bolo!!!
Açúcar!
Todo o meu corpo grita por açúcar, cada vez mais alto. Consegue ser tão insistente e exigente que eu, fraquinha, cedo…
Atravesso a rua determinada. Sei exactamente o que vou escolher. O pior que há na vitrine da pastelaria. A tal da pastelaria onde há meses não entro.
“Boa tarde. Quero este. É para levar, por favor.”
“Poissss não, garôta.”, responde o dono da pastelaria no seu sotaque de emigrante e eu relembro mais um dos motivos que me mantém longe daquele antro de tentação e pecado. Irrita-me o modo como o homem fala e aquela tentativa de ser simpático que lhe dá um ar gingão.
Regresso ao meu gabinete e entrego-me aos prazeres da gula… resultado: estou enjoada!!
Entre receber pessoas, fazer conversa de circunstância, aguentar secas com cara alegre e sorriso de "Barbie guia" com a cabeça a milhas dali, mas sem ninguém perceber, cresce-me o desejo incontrolável de comer um bolo!!!
Açúcar!
Todo o meu corpo grita por açúcar, cada vez mais alto. Consegue ser tão insistente e exigente que eu, fraquinha, cedo…
Atravesso a rua determinada. Sei exactamente o que vou escolher. O pior que há na vitrine da pastelaria. A tal da pastelaria onde há meses não entro.
“Boa tarde. Quero este. É para levar, por favor.”
“Poissss não, garôta.”, responde o dono da pastelaria no seu sotaque de emigrante e eu relembro mais um dos motivos que me mantém longe daquele antro de tentação e pecado. Irrita-me o modo como o homem fala e aquela tentativa de ser simpático que lhe dá um ar gingão.
Regresso ao meu gabinete e entrego-me aos prazeres da gula… resultado: estou enjoada!!
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Ideias Parvas
Segunda-feira, Junho 08, 2009
Influência positiva

Admiro pessoas que de forma generosa, sem nenhum interesse ou motivação, que não seja apenas fazer o bem, ajudam desconhecidos com a mesma solicitude que o fariam por um amigo.
São pessoas assim que fazem do mundo um lugar melhor e que me restauram a fé na humanidade.
A grandeza dos grandes gestos pode estar num acto tão simples como devolver uma bola que rola para a estrada, de parar o carro fora da passadeira para dar passagem à mulher com as crianças à beira do passeio…
Quando temos um gesto de bondade, por mais insignificante que seja ou possa parecer, não sabemos até que ponto aquilo se irá reflectir na vida de terceiros.
Uma boa acção pode propagar-se como os anéis de uma pedrada num charco, pode propagar-se até ter consequências e interferências de que nunca viremos a ter conhecimento, num crescendo capaz de mudar vidas.
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Domingo, Junho 07, 2009
Da confiança
O estabelecimento de laços de confiança não é uma realização simples mas consegue ser, muitas vezes, inexplicável.
A confiança tem vários escalões e vivências, na medida em que é um processo em contínuo amadurecimento e se vive tanto ao nível das relações interpessoais, como no âmbito da nossa intimidade, no conhecimento que temos de nós enquanto ser.
A confiança que temos, em nós e nos outros, acaba por funcionar também como a bitola da nossa maneira de encarar os desafios que nos lançam e aqueles que nos estabelecemos.
À medida que vamos conhecendo alguém, enquanto convivemos e partilhamos palavras, posturas, maneiras de ser e estar, vamos tecendo fios de confiança que vão unindo e fortalecendo a relação.
Como uma teia de aranha, começam por ser fios frágeis e delicados, que correm o risco de se quebrar com o sopro mais forte de uma palavra mal entendida ou com um gesto brusco.
Com o tempo, os laços da confiança podem vir a tornar-se cabos de aço, capazes de arrostar com qualquer temporal, resistentes às mais duras provas, ora segurando um ora segurando o outro, mantendo os dois sempre unidos.
Mas a confiança é também uma experiência profundamente intimista. É uma vivência pessoal que se cultiva e estimula na nossa esfera mais privada, prende-se com a consciência que temos das nossas capacidades e limitações, a noção dos nossos medos atávicos ou dos desejos mais ousados.
Podemos conhecer alguém durante anos e o convívio só nos mostra que dali não vem segurança e que confiar àquela guarda seja o que for é minimizar o valor do depósito. Também acontece, por mais incompreensível que seja, saber, saber apenas, visceralmente, que outro alguém, quase um estranho, é de confiança e que ali podemos depositar a cabeça e dormir, sem receio de nos roubarem o sonho durante o sono.
A confiança consegue ser inexplicável e não se prende a espartilhos de racionalidade. É bom confiar e sentir que confiam em nós.
A confiança tem vários escalões e vivências, na medida em que é um processo em contínuo amadurecimento e se vive tanto ao nível das relações interpessoais, como no âmbito da nossa intimidade, no conhecimento que temos de nós enquanto ser.
A confiança que temos, em nós e nos outros, acaba por funcionar também como a bitola da nossa maneira de encarar os desafios que nos lançam e aqueles que nos estabelecemos.
À medida que vamos conhecendo alguém, enquanto convivemos e partilhamos palavras, posturas, maneiras de ser e estar, vamos tecendo fios de confiança que vão unindo e fortalecendo a relação.
Como uma teia de aranha, começam por ser fios frágeis e delicados, que correm o risco de se quebrar com o sopro mais forte de uma palavra mal entendida ou com um gesto brusco.
Com o tempo, os laços da confiança podem vir a tornar-se cabos de aço, capazes de arrostar com qualquer temporal, resistentes às mais duras provas, ora segurando um ora segurando o outro, mantendo os dois sempre unidos.
Mas a confiança é também uma experiência profundamente intimista. É uma vivência pessoal que se cultiva e estimula na nossa esfera mais privada, prende-se com a consciência que temos das nossas capacidades e limitações, a noção dos nossos medos atávicos ou dos desejos mais ousados.
Podemos conhecer alguém durante anos e o convívio só nos mostra que dali não vem segurança e que confiar àquela guarda seja o que for é minimizar o valor do depósito. Também acontece, por mais incompreensível que seja, saber, saber apenas, visceralmente, que outro alguém, quase um estranho, é de confiança e que ali podemos depositar a cabeça e dormir, sem receio de nos roubarem o sonho durante o sono.
A confiança consegue ser inexplicável e não se prende a espartilhos de racionalidade. É bom confiar e sentir que confiam em nós.
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As lógicas da Maçã
Dia de Votos
Ir às urnas, eleger um candidato, votar num partido, numa ideia, numa convicção ou pura e simplesmente ir até lá e não escrever nada no boletim de voto, é imperativo!!
Votar é mais que um dever cívico, é uma obrigação moral.
Votar é mais que um dever cívico, é uma obrigação moral.
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As lógicas da Maçã
Sexta-feira, Junho 05, 2009
Gracinha
Oh p'ro Youtube a dar um ar da sua graça outra vez... Acho que a partir de agora, sempre que as músicas não apareçam assim que as escolho, selecciono logo umas quantas só para ver quando e onde é que aparecem.
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Ideias Parvas
Keep it simple

Não quero pensar em coisas que não fazem sentido e tenho medo de perder a leveza que me faz sorrir.
É mau quando me vejo a pensar por mim e pelos outros.
É mau quando me vejo a pensar por mim e pelos outros.
Acredito que há momentos na vida em que o ideal é mesmo não pensar por aí além, não racionalizar e deixar andar ao sabor da corrente, sem expectativas, nem medos, sem planos que venham de trás nem mapas que se desenrolem para a frente.
Não estou com um bom pressentimento e isso angustia-me.
Talvez seja do tempo assim tão cinzento que se cola às roupas que trago, feitas dos mesmos tons que pintam o céu. Devia ter vestido azul-turquesa quando esta manhã sai de casa…
Não estou com um bom pressentimento e isso angustia-me.
Talvez seja do tempo assim tão cinzento que se cola às roupas que trago, feitas dos mesmos tons que pintam o céu. Devia ter vestido azul-turquesa quando esta manhã sai de casa…
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As lógicas da Maçã,
Eu
Quinta-feira, Junho 04, 2009
Livros (9)

Na minha modesta opinião o homem foi um génio e não deixa de ser curioso que, algumas das coisas que escreveu há mais de um século, permaneçam hoje tão actuais e acutilantes quanto outrora.
Quando andava no secundário e ele fazia parte do currículo de português (desconheço se ainda fará) a maioria dos meus colegas abominava-o e revirava os olhos à mera pronúncia do seu nome.
Não foram poucos os que recorreram aos famosos cadernos amarelos das edições Europa-América.
Eu, que sempre gostei de ler, nunca enveredei por esse caminho e entregava-me às leituras obrigatórias da disciplina com o mesmo entusiasmo que nos intervalos víamos a Bravo (na altura em alemão, língua que no liceu ninguém do meu grupo dominava, mas não havia quem não comprasse a revista(nota mental: um dia destes tenho de escrever sobre isto...)).
Ao olhar para trás no tempo, constato que talvez tenha sido uma adolescente peculiar, se considerar que já ia na segunda volta de Os Maias, quando a maioria dos meus amigos nem com o resumo atinava.
A história é sobejamente conhecida mas, talvez por isso mesmo, a obra magnifica de Eça de Queirós não seja hoje tão valorizada e muita gente se cinja apenas a este livro, que enalteço sim, mas que não esgota o riquíssimo universo queirosiano.
Relembro aqui A Cidade e as Serras, um romance esplêndido na caricatura, que continua a dar-me sorrisos sempre que torno a cruzar o meu caminho com o janota Jacinto e o bom do Zé Fernandes.
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Livros
Ferido de morte
Acordou febril e meio entontecido.
Tinha tido uma noite má, alagado entre o suor da febre e o calor de um quarto demasiado quente.
Desde a véspera que pouco ou nada comia e a sede não abrandava.
Estava ligeiramente atrasado e isso irritava-o, talvez mais que o mal-estar que lhe moía o corpo.
Parecia inacreditável ter-se deixado ficar para trás. Àquela hora todos tinham ido embora e o sol já entrava pela janela, impiedoso.
Sentiu-se ferido de morte na imensidão daquele branco que lhe magoava os olhos.
Olhou para a parede em frente e, quando se viu reflectido no enorme espelho, teve consciência da fragilidade de um corpo que nem lhe parecia o seu.
Foi percorrido por um frémito de comoção e teve a real noção da sua fragilidade e de quão efémeros seriam os seus dias.
O resto foi demasiado rápido sequer para que se tenha apercebido.
Perdido a contemplar a sua fragilidade não viu a mão que se aproximou célere e determinada…
Não foi uma morte digna. Esborrachado contra a parede por uma caixa de mebocaína!
“Não tinhas mais nada para matar a melga?”, disse ela, meio zangada.
“O que é que queres? Não tinha mais nada à mão…anda, ainda podemos dormir mais um bocado…”
Tinha tido uma noite má, alagado entre o suor da febre e o calor de um quarto demasiado quente.
Desde a véspera que pouco ou nada comia e a sede não abrandava.
Estava ligeiramente atrasado e isso irritava-o, talvez mais que o mal-estar que lhe moía o corpo.
Parecia inacreditável ter-se deixado ficar para trás. Àquela hora todos tinham ido embora e o sol já entrava pela janela, impiedoso.
Sentiu-se ferido de morte na imensidão daquele branco que lhe magoava os olhos.
Olhou para a parede em frente e, quando se viu reflectido no enorme espelho, teve consciência da fragilidade de um corpo que nem lhe parecia o seu.
Foi percorrido por um frémito de comoção e teve a real noção da sua fragilidade e de quão efémeros seriam os seus dias.
O resto foi demasiado rápido sequer para que se tenha apercebido.
Perdido a contemplar a sua fragilidade não viu a mão que se aproximou célere e determinada…
Não foi uma morte digna. Esborrachado contra a parede por uma caixa de mebocaína!
“Não tinhas mais nada para matar a melga?”, disse ela, meio zangada.
“O que é que queres? Não tinha mais nada à mão…anda, ainda podemos dormir mais um bocado…”
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Pessoas
Quarta-feira, Junho 03, 2009
Do riso e das lágrimas
Entre as muitas coisas gratificantes que duas pessoas podem partilhar, o humor é, no meu entender, uma das mais certeiras e saborosas.
A capacidade de rir com (diferente de rir de) é uma boa cola num relacionamento, é sinal de empatia e intimidade e mantém aberto o canal da surpresa e do auto-desafio.
O humor estimula a imaginação e puxa pelo outro para acompanhar a pedalada, e o prazer de private jokes que, numa sala cheia, mais ninguém agarra, trazem sempre o paladar doce de uma traquinice de miúdos.
Saber partilhar as lágrimas também é igualmente importante. Sentir as dores do outro e saber dar a palavra necessária para despertar um sorriso, mesmo ténue, ou saber oferecer o silêncio da compreensão num abraço que conforta, são gestos que não têm preço.
Há um tempo para rir e um tempo para chorar, mas todo o tempo é tempo de dar...
A capacidade de rir com (diferente de rir de) é uma boa cola num relacionamento, é sinal de empatia e intimidade e mantém aberto o canal da surpresa e do auto-desafio.
O humor estimula a imaginação e puxa pelo outro para acompanhar a pedalada, e o prazer de private jokes que, numa sala cheia, mais ninguém agarra, trazem sempre o paladar doce de uma traquinice de miúdos.
Saber partilhar as lágrimas também é igualmente importante. Sentir as dores do outro e saber dar a palavra necessária para despertar um sorriso, mesmo ténue, ou saber oferecer o silêncio da compreensão num abraço que conforta, são gestos que não têm preço.
Há um tempo para rir e um tempo para chorar, mas todo o tempo é tempo de dar...
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As lógicas da Maçã
Os caprichos do Youtube
Todas as músicas que tentei publicar durante o dia de ontem apareceram em efeito cascata durante a noite... É bonito, deixo-as ficar... Suspeito que o youtube também é dado aos seus caprichos de humor, qualquer coisa do género "agora não me apetece... é só quando eu quiser..."
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As lógicas da Maçã
Terça-feira, Junho 02, 2009
Priceless
“Se te mantiveres firme no desígnio de ser feliz e bem formada, os outros é que vão ter de acertar o passo e não o contrário.”
Thanks...
Thanks...
Desabafos
Por mais que não queira e que me finja impassível e indiferente, na verdade não deixa de me afectar.
Magoa-me e irrita-me, sobretudo, a sobranceria de gente mal formada, que não mede palavras nem actos e magoa os outros, apenas pelo prazer de ferir e fazem-no da maneira mais vil, porque sabem exactamente para onde disparar para que o efeito seja mais fundo e devastador.
É fácil dizer “não ligues, não valorizes”, e o facto é que na maior parte das vezes até consigo passar por cima, mas quando existem anos de convívio e de acumular de feridas, a situação torna-se insustentável.
Vem isto a propósito de um colega, com quem me incompatibilizei por todo um acumular de mesquinhices ao longo dos anos. Cansei-me de o ver intrigar e difamar, esgotou-me a paciência a duplicidade que lhe fui descobrindo.
Lamento algum dia ter confiado nele, lamento ter sido amiga dele, porque o fui, e irrita-me o modo como isto me afecta.
Vi-o fazer as piores intrigas contra mim e contra pessoas que muito estimo, contra alguém que não merecia nada do que lhe moveram. Tenho assistido a manifestações de má educação e mau carácter que me recuso a narrar e, no meio de tudo isto, recrimino-me porque algures, num tempo recuado, eu, ingénua e estupidamente crédula, acreditei que tive ali um amigo.
Sinto-me triste, profundamente triste, nestas constatações, e a situação afecta-me mais do que seria desejável.
Não me tenho na conta de ser a melhor pessoa do mundo, mas é a quebra de confiança, a traição, a mentira e a maldade gratuita que me incomodam assim.
Gosto de acreditar que estes enganos funcionam como lições de vida que, eventualmente, me protejam no futuro.
Não gosto de viver permanentemente à defesa, gosto de dar oportunidade, a mim e aos outros, a oportunidade para confiar, mas quando me confronto, cara a cara, com pessoas assim, volta-me o medo de não ter aprendido a lição.
Magoa-me e irrita-me, sobretudo, a sobranceria de gente mal formada, que não mede palavras nem actos e magoa os outros, apenas pelo prazer de ferir e fazem-no da maneira mais vil, porque sabem exactamente para onde disparar para que o efeito seja mais fundo e devastador.
É fácil dizer “não ligues, não valorizes”, e o facto é que na maior parte das vezes até consigo passar por cima, mas quando existem anos de convívio e de acumular de feridas, a situação torna-se insustentável.
Vem isto a propósito de um colega, com quem me incompatibilizei por todo um acumular de mesquinhices ao longo dos anos. Cansei-me de o ver intrigar e difamar, esgotou-me a paciência a duplicidade que lhe fui descobrindo.
Lamento algum dia ter confiado nele, lamento ter sido amiga dele, porque o fui, e irrita-me o modo como isto me afecta.
Vi-o fazer as piores intrigas contra mim e contra pessoas que muito estimo, contra alguém que não merecia nada do que lhe moveram. Tenho assistido a manifestações de má educação e mau carácter que me recuso a narrar e, no meio de tudo isto, recrimino-me porque algures, num tempo recuado, eu, ingénua e estupidamente crédula, acreditei que tive ali um amigo.
Sinto-me triste, profundamente triste, nestas constatações, e a situação afecta-me mais do que seria desejável.
Não me tenho na conta de ser a melhor pessoa do mundo, mas é a quebra de confiança, a traição, a mentira e a maldade gratuita que me incomodam assim.
Gosto de acreditar que estes enganos funcionam como lições de vida que, eventualmente, me protejam no futuro.
Não gosto de viver permanentemente à defesa, gosto de dar oportunidade, a mim e aos outros, a oportunidade para confiar, mas quando me confronto, cara a cara, com pessoas assim, volta-me o medo de não ter aprendido a lição.
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Eu
Segunda-feira, Junho 01, 2009
Coisas que...
Sair de casa a uma hora aceitável para chegar cedo ao trabalho e ficar num calor de ananases, quase duas horas em filas que mal se movem, como se fossem uma lesma gigante.
Não é porreiro, pá…
Não é porreiro, pá…
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