Andamos todos ao mesmo.
A diferença está no simples facto de alguns de nós o admitirem e assumirem sem falsos pudores, enquanto outros tentam escamotear sob camadas de gestos estudados e bonecos bem montados, como personagens de um circo tantas vezes infernal, os mesmos desejos, medos, sonhos e ansiedades.
No fundo, procuramos alguém que nos aqueça os pés nas noites frias e que nos faça tremer de antecipação ao mero som da voz.
Queremos sentir o frémito do desejo e a grandeza da paixão.
Queremos amar e ser amados.
Sentir que podemos encostar a cabeça e confiar.
Estar em casa, em alguém que nos conheça as falhas e os defeitos sem julgamentos, ao mesmo tempo que nos sabe as virtudes e aceita por aquilo que somos, independentemente de encaixarmos, ou não, naquele perfil idealizado que qualquer pessoa tem, por mais maleável que seja às circunstâncias.
Vem isto a propósito de uma conversa que tive durante o almoço, na qual constatámos que, por mais distintas que sejam as vivências, no nosso grupo alargado de amigos e conhecidos, esta busca, que às vezes se torna em fuga e negação, nos toca a todos.
Eu assumo que quero nada menos que a plenitude de um relacionamento a dois.
Não aspiro à perfeição, porque isso, simplesmente, não existe e eu, no meu largo somatório de falhas, defeitos e erros estou muito longe disso.
Não almejo perfeições e fujo o mais que posso das idealizações, minhas e dos outros, que acabam por ser muito redutoras e, invariavelmente, nos levam por caminhos ínvios.
Acredito honestamente que as relações bem sucedidas se constroem sobre bases tanto mais profundas e sólidas, quanto maior for o empenho de ambos e a vontade genuína e assumida de ultrapassar as diferenças e as dificuldades que, naturalmente, existem entre indivíduos distintos.
Acredito no compromisso de parte a parte, nunca na anulação, que é algo que a curto/médio prazo até pode dar dividendos, mas que com o tempo, se torna insustentável.
O sexo, por muito bom que seja, embora fundamental, não é a cola numa relação a longo prazo e, na minha humilde maneira de ver a vida, o que faz duas pessoas caminharem juntas na construção de um caminho comum não começa na cama, mas antes nos gestos quotidianos dos pequenos grandes nadas.
Aquilo que nos sustém é a honestidade, o compromisso e a partilha da intimidade construída numa base diária. É acordar de manhã e dizer: "Não te vou deixar cair. Segura-me…”
Parque das Nações.
Há 6 horas





7 conversa(s):
é bonito e é viável...mas não ganhes rugas com isso.
Caro Francis, é viável mas não é de efeito imediato. Quanto às rugas ganhamos novas todos os dias, por isso...
...tá lá tudo...já só falta o encontro...
Minha querida, a teoria é a parte fácil.
Que a tua história se torne real e nela sejas a personagem principal!!!
E se queres um conselho...
Nunca deixes de acreditar e nada de perder tempo e energia com alguém diferente daquilo que anseias!!!
Pois... nem mais! Também é o que procuro e também é para mim a chave de qualquer relacionamento bem sucedido: reciprocidade de sentimentos, esforço genuíno de parte a parte, intimidade conquistada, partilha e muita dedicação na colocação de cada pedrinha da construção. Um dia...
Cara Lurba,
Obrigada,é mesmo isso,embora nem sempre seja "fácil" de seguir.
Querida Princesa,
eu sei que sabes ;) e "um dia", com toda a certeza, "o dia" chega...
Enviar um comentário