Ás vezes sinto que nasci fora do meu tempo.
Como se estes dias não me servissem, como se fossem feitos de roupas demasiado justas e ásperas que me apertam e rasgam a pele macia.
Tenho vergões arroxeados nos sítios onde o tempo me segura com demasiada força.
Em dias assim, sinto que não pertenço a lado algum e estou aqui sem estar.
Flutuo, não na sublime doçura dos encantos, mas no vazio de não me encontrar.
A saudade invade-me, enche-me, faz-me transbordar.
Caminho como se fosse feita de cristal prestes a estalar.
Não vejo rostos na melancolia que me possui como um amante egoísta.
É a mim que me lamento neste desencontro ao olhar-me como se visse um quadro que não chegou a ser acabado.
Vejo o esboço mas não percebo as cores nem a tela inteira.
É de mim que tenho saudade…
Quero despir-me deste espartilho e correr nua até me encontrar.
Parque das Nações.
Há 6 horas





2 conversa(s):
...também tenho saudades...mas de alguém que nunca fui...num tempo que não existiu!
Boa corrida!!! ;-DDD
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