Entrou no mar com passos lentos mas decididos.
Quando a água gelada lhe beijou a pele quente não recuou.
Avançou com uma determinação que suspeitava ter, mas que nunca tinha posto à prova.
Nunca vacilou. Não olhou para a areia dourada e morna uma única vez.
Seguiu até mergulhar sem aparato. Não, na verdade não foi um mergulho. Afundou-se.
Deixou-se deslizar devagar, de olhos abertos e ficou a ver as bolhas de ar que lhe escapavam da boca e os cabelos a flutuarem como se não lhe pertencessem.
Quando tornou à superfície viu-se só. Longe da praia. Sem pé. Mal sabia nadar. Talvez tenham sido as ondas que se apiedaram e cuspiram para terra o corpo cansado.
Não sabe quanto tempo andou no mar.
Com o corpo ainda arranhado e dorido, voltou à água.
Correu, como num desafio e mergulhou.
Mergulhou de cabeça. Mergulhou de corpo e alma.
Não abriu os olhos quando se lançou e não percebeu que o mar não convidava a mergulhos cegos. Regressou à praia.
O mar chama. O mar tem uma canção que inebria.
Passeia-se na beira da água, onde a espuma das ondas rebenta em gotas de luz, mas não deixa que a água lhe passe da cintura.
Quer mergulhar. Precisa de nadar. Tem medo do mar.
Parque das Nações.
Há 6 horas





3 conversa(s):
... atravessar o deserto...mergulhar no mar...ansiar o desconhecido...querer partir...
Temos sempre medo do que não conhecemos ou não controlamos. É preciso muita coragem para entrar na água. E depois de uns embates, a tendência é mesmo para ficar na areia...
Querida Sendyourlove,
é tudo isso, mas também o exactamente oposto...(nunca disse que era de fácil compreensão ;)
Querida Princesa,
sabes bem que debaixo do medo, na ameaça do que não se sabe, brilha a centelha da aventura e a vontade de mergulhar e vencer...desistir jamais!
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