E tudo o que desejo é acreditar outra vez. Poder sorrir com confiança. Dar amor sem receios.
Quero os meus sonhos de volta...
Domingo, Novembro 15, 2009
Palavras com som ou Uma canção gira e bem disposta, optimista como faz falta ou Porque além de giro ainda canta bem ou...
(Michael Bublé, "Haven't Met You Yet")
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Apple's O.S.T.
Sexta-feira, Novembro 13, 2009
Quinta-feira, Novembro 12, 2009
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
Caleidoscópio ou Pinceladas de um dia incomum
A falha numa pontualidade que conheço por irrepreensível obriga-me a esperar mais de uma hora.
Um paciente algures, uma emergência... o rumor atravessa a sala de espera.
O meu nome, finalmente. Sigo pelo corredor atrás da bata branca e espero à porta do gabinete, sentada ao lado do GNR que subiu comigo no elevador quando chegámos de manhã.
No consultório é tudo rápido e eficiente, como habitual. Confirma-se o que suspeitava mas, no geral, está tudo bem.
Até para o ano, diz a médica, já com a ficha do próximo doente nas mãos.
Saio do hospital para um sol pálido e um céu azul pincelado de nuvens tímidas.
Tenho quase duas horas de espera à minha frente.
A luz do fim da manhã abraça-me e caminho pelo Chiado, devagar, a sentir o palpitar da vida à minha volta.
Sozinha, passeio como se fosse uma estranha naquele lugar que conheço tão bem.
Procuro ver aquilo que às vezes me escapa quando vou apressada ou distraída na conversa.
Sem me aperceber entro num set de filmagens. Uma assistente, com um ar demasiado jovem, sorri-me simpática e diz que posso passar desde que não pare a olhar como fazem exactamente duas mulheres que subiam a rua.
O telefone toca e atendo enquanto desço, sem querer saber se entrei ou não no enquadramento da câmara.
Um inesperado convite para almoçar que noutro tempo me faria sair a correr. Uma troca de graças sem consequências, e a certeza de uma história arrumada.
Dois anos parecem tudo e nada. Muito tempo e tempo nenhum. Tudo depende de que lado da barricada estamos. Eu não sei onde estou, mas sei que o meu tempo ali já passou.
Entro na Fnac e perco-me pelos discos e os livros. Folheio uma Mafalda e rio sem pudores. Espreito os livros enquanto procuro algum que me cative.
Entre uma estante e um escaparate lembro-me de alguém que fui noutra vida, quando o meu nome não era este. Recordo uma noite quente de Primavera, quando ainda acreditava em quimeras e vivia de sonhos como se fossem realidade.
Enquanto ainda espero, mas já acompanhada, fico na mesma esplanada onde continuam a filmar.
Por instantes o operador de câmara, do outro lado da esplanada, prende-me o olhar e sorrimos um para o outro.
Um mendigo pára e grita ofensas e palavrões para a câmara. Gesticula como se mil abelhas o picassem e desce a rua como se mais ninguém o visse.
Noto uma rapariga demasiado magra perdida dentro de uns shorts de lycra e um casaco com padrão leopardo. Senta-se duas mesas abaixo da nossa mas não comento e escuto a minha amiga que fala como uma cascata depois da monção.
Em São Carlos despedimo-nos. Ela segue e eu espero ainda.
Quando, por fim, o meu amigo chega não sinto borboletas no estômago nem os joelhos me falham.
Invade-me uma ternura imensa e uma paz que me espalha no peito um calor doce. Mal me contenho de o abraçar entre os anónimos que passam. Quero abraçá-lo e dizer-lhe ao ouvido, como quem murmura um segredo: “Obrigada por estares aqui. Não aqui numa praça cheia de gente, mas aqui, na minha vida. Obrigada por me deixares fazer parte de ti. Obrigada, por ti em mim…”
Não lhe digo nada disto mas abraço-o com o olhar e com as palavras que não lhe disse.
O sol beija-nos, gentil e generoso e o rio oferece-se lá em baixo como prata líquida.
Com aquela luz os olhos dele ficam verdes e riem enquanto fala.
O timbre grave e pausado daquela voz baloiça-me e traz qualquer coisa que me acalma.
Rimos com uma piada que os espanhóis da mesa ao lado não percebem. Mas sei que entenderam o nosso riso, que é tão universal quanto o choro…
Vejo-me incapaz de o fazer compreender aquilo que trago em mim. Não é um jogo. Não há razões. Não existem explicações nem sequer justificações. Uma confissão fica por fazer.
No outro lado da cidade, quando atravesso a estrada olho para a varanda que sei tão bem. Ele está atrás da janela, sentado à secretária. Gosto de ficar por ali, entre livros e papéis a vê-lo escrever.
De vez em quando ainda olho para trás, muito para trás, mesmo para onde já não existe nada para ver. Tinúviel… persegue-me a lembrança desde que abri o livro. O nome que já não tenho, a pessoa que já não sou, assombra-me.
Perco-me num caminho que nunca fiz sozinha. Venço as fraquezas e os medos infundados. Chego vitoriosa ao destino e celebro um feito tão banal mas que para mim é grande.
A minha amiga está feliz. Não preciso que mo diga. Irradia.
Ela sabe-me triste. Não precisa que eu o diga. Transbordo.
Um velho na mesa do lado demora-se a saborear o chá e o bolo. Cúmplices, falamos de trivialidades até ele sair. Sinto-me feliz com a felicidade dela e as minhas forças renovam-se através da sua história que me encanta.
É noite. Continuo a viagem. As luzes da cidade não deixam ver as estrelas. Escuto o disco que comprei no início da tarde. Demasiado melancólico e narcotizante para o meu estado de espírito.
Quando saio do estacionamento o cartaz gigante esmaga-me.
“O Amor acontece quando menos se espera”. Sorri, sem felicidade, quando o li. Cars and Girls toca como som ambiente e a ironia de um instante que mais ninguém poderia perceber, fez-me tremer lágrimas que segurei mal.
Um desconhecido fotografou-me e gostei do que vi. Nem sempre é assim.
Partilho sorrisos e amabilidades com duas mulheres que acabei de ver na outra loja.
A generosidade entre estranhos é algo que sempre me comove.
Somos todos desconhecidos até ao instante em que nos damos a conhecer e então os nossos caminhos mudam de rumo.
Pelo resto da viagem sinto-me demasiado cansada para pensar. Não quero tomar decisões.
Carrego uma tristeza que se cola à pele e não sei como a arrancar.
No livro que ando a ler, um dos personagens principais diz que se sente uma biblioteca sem um único livro. Eu, pelo contrário, sinto-me uma biblioteca repleta de livros, sem ninguém que os saiba ler.
Nos últimos tempos, nem eu…
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Eu
Terça-feira, Novembro 10, 2009
Coleccionismo ou Da decepção (breve apontamento, sujeito a desenvolvimento, ou não...)
A decepção deixa um sulco tão profundo quanto maior é a dedicação e a entrega.
Não que busque a perfeição. Longe disso. A perfeição não é mais que uma vã quimera.
Eu quero e preciso de gente real, com as falhas e virtudes de um ser humano inteiro e completo.
É com isso que convivo bem, com os defeitos e as qualidades, é isso que busco porque é apenas isso que tenho para oferecer e o apenas, aqui, é tudo.
Tenho uma lamentável colecção de decepções.
A grande maioria delas nasceu de expectativas muito baixas ou nulas. Não deixa de ser irónico…
Não que busque a perfeição. Longe disso. A perfeição não é mais que uma vã quimera.
Eu quero e preciso de gente real, com as falhas e virtudes de um ser humano inteiro e completo.
É com isso que convivo bem, com os defeitos e as qualidades, é isso que busco porque é apenas isso que tenho para oferecer e o apenas, aqui, é tudo.
Tenho uma lamentável colecção de decepções.
A grande maioria delas nasceu de expectativas muito baixas ou nulas. Não deixa de ser irónico…
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Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Muro
Tinha 13 anos quando o Muro foi derrubado. Recordo-me perfeitamente de ver as imagens na televisão e tenho presente a sensação daquele momento.
Soube que estava a assistir à História a acontecer, grandiosa, no meu tempo. “Isto virá nos manuais de estudo daqui a uns anos e eu vou dizer que vi…”
Na altura não tinha a total noção do que estava a testemunhar.
Talvez hoje, volvidos vinte anos, o mundo ainda não tenha a consciência plena do que mudou e do que, infelizmente, permanece imutável…
A História é uma professora generosa, a Humanidade é uma péssima aluna.
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As lógicas da Maçã
Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Secret yearning ou Palavras ao vento
Como se fossem folhas douradas lançou-lhe as palavras pelo vento:
Antes que o Inverno chegue, instala-te no meu abraço.
O silêncio grita o teu nome e a noite é demasiado longa sem ti.
Falta-me o calor do teu riso.
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