Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Palavras com som

(Billie Holiday, "Solitude")

Domingo, Fevereiro 07, 2010

Palavras com som ou Choro no exílio ou Saudade




Artist: Chico Buarque


"[...]
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor."




(Chico Buarque e Zizi Possi,"Pedaço de mim")

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Palavras com som

(Arcade Fire, "My Body is a Cage")

Doce silêncio partilhado ou Dos caminhos da Intimidade e Um quadro de Chagall




Quando se atinge a comunhão no silêncio, chega um conforto doce e aquele tipo de segurança que só a intimidade nos dá.
A intimidade, que está muito para além do sexo, denuncia-se em pequenos detalhes que cimentam as relações e, o silêncio partilhado sem desconforto, mas feito de cumplicidades, é uma das suas mais belas manifestações.
A intimidade passa pela confiança e por uma estreiteza de laços que não se explicam, mas que se tecem à medida que nos damos a conhecer, enquanto deixamos cair uma por uma as couraças da armadura que usamos.
Porque todos vestimos armaduras, umas para não nos deixar sair outras para não deixar ninguém entrar. Para além das armaduras, muitas vezes minamos o terreno à nossa volta e disparamos antes de perguntar quem vem lá.
A intimidade é a derrocada de todas essas armadilhas, é a nudez que se oferece, num gesto de confiança e boa vontade, é uma construção feita devagarinho, um dia de cada vez, num caminho que se deseja de cumplicidades.
Sendo a conversa essencial nessa construção, acredito que no momento em que a partilha do silêncio se torna num acto íntimo, já se caminha pela estrada de uma entrega sem artifícios.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Palavras com som

(Lisa Ekdahl, "Give me that slow knowing smile")

"De que me rio eu?... Eu rio horas e horas"





De que me rio eu?... Eu rio horas e horas
para me esquecer, para me não sentir.
Eu rio a olhar o mar, as noites e as auroras;
passo a vida febril inquietantemente a rir.


Eu rio porque tenho medo, um terror vago
de me sentir a sós e de me interrogar;
rio p'ra não ouvir a voz do mar pressago
nem a das coisas mudas a chorar.


Rio p'ra não ouvir a voz que grita dentro de mim
o mistério de tudo o que me cerca
e a dor de não saber porque vivo assim.

António Patrício

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

Palavras com som

(Magnetic Fields,"No One Will Ever Love You Honestly")

Visitors from the past

E pelo meio das outras fotografias, de repente, lá estavas tu, a sorrir para mim, naquele restaurante de beira de estrada, cheio de desconhecidos, numa tarde fria de um inverno distante.
Aquele teu sorriso, congelado para sempre, é dos últimos que guardo… não é um sorriso luminoso, os teus olhos não têm ali o brilho que lhes conheci noutros tempos.
No dia daquele sorriso tudo à nossa volta era já despedida, dentro de ambos conhecíamos o adeus inevitável que chegava.
Acredito que nem eu nem tu, o desejávamos, mas ambos tínhamos a certeza de que já nada havia a fazer.
Nunca deixei de te amar, nem mesmo quando soube que iríamos morrer.
Porque morremos, sabes disso, não sabes?
Morremos os dois e, no entanto, os fantasmas do que fomos ainda me afagam a memória.
Morremos os dois mas, às vezes, esqueço-me disso e falo contigo como se ainda me pudesses ouvir, como se ainda fosse possível ver-te chegar para apagar o vazio da ausência que me matou.

Morremos os dois... para tentar nascer algures noutro lugar...

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Palavras com som ou Descoberta recente ou Afiado, este Eduardo e os Zeros Magnéticos

(Edward Sharpe and The Magnetic Zeros,"40 Day Dream")

Coisas que...

Mais uma Opera Buffa neste nosso plácido cantinho à beira mar plantado...

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Palavras com som ou Ainda é a canção que melhor me descreve

(Dave Matthews Band,"Grey Street")

(re)Encontro


Foi como se o tempo que passou mais não tivesse sido que um intervalo entre uma aula e outra.


Malgrado os caminhos tão distintos por onde a vida nos tem levado, a cumplicidade continua e a empatia, que nos juntou há dezassete anos, permanece…

O que trouxe de melhor daquele reencontro, foi a certeza de que para lá das boas memórias, que continuam vivas, mantém-se a essência de cada um e, com anos de intervalo, com caminhos tão distintos, com os sucessos e os fracassos que vamos acumulando, não nos tornámos estranhos uns para os outros.